
Nesse ultimo sábado, nos reunimos todos, minha família materna, para um encontro de primos, sobrinhos, netos e bisnetos de minha avo, a grande matriarca da família.
Foi muito bom estar próximo a todos aqueles que de alguma forma partilham, uma gota que seja, de sangue comigo, algo em comum que nos aproxima.
Mas como sempre o é, foi bem dificil conviver com as diferenças, a maioria, senão todos, os meus familiares maternos são evangélicos e como nao é novidade para ninguém, eu sou gay e agnóstico (lê-se aquele que cree em Deus, mas nao na religião criada pelo homem).
E nas poucas conversas que tive, muitas me desagradaram pelo fato de em alguns segundos que eu particularmente chamo de, segundos de lucidez, os meus parentes puderem expor seus sentimentos por mim, a saudade que dói no peito deles, que por sinal, dói no meu tambem! Gostaria de te-los todos aqui, todos os dias.
Porem, quando esse "momento de lucidez" termina, entra o "momento religião" que realmente ja "deu no saco",
Todos eles tem sonhos comigo, talvez seja apenas um sinal de preocupação, penso eu, mas eles completam e interpretam os sonhos como chamãs da antigüidade, e levam os sonhos para os lados mais obscuros da vida que pensam eles eu tenho. Outro veio fazer um video comigo, dizendo como me amava, ele era meu tio, e eu o amo muito! Mas o momento de lucidez passou rápido e ele logo começou a proclamar coisas na minha vida e dizer que Deus estava falando com ele sobre mim, e minha resposta foi bem clara, alias pra todos, a mesma resposta.
Se Deus quer falar comigo, ele vai falar COMIGO, nao com voce! Não te vejo como canal direto com Deus, e voce nao conhece o meu coração, Eu conheço meu coração, Deus conhece meu coração. Deus sabe "onde aperta"

Se pudesse enviaria isso por email a cada familiar que estava presente no ultimo sábado, mas me aterei apenas a desabafar aqui, onde nao sou lido ou julgado por uma "prole" evangélica dos anos 2014 que eu os identifico como os "fariseus" da época de Jesus.
Menos julgamento, vamos olhar para nos mesmos, para nossas almas, mentes e corpos e decidir o que devemos fazer com o que é NOSSO. SOMOS TODOS IGUAIS.
Vamos deixar o outro de lado, viver nossa vida e se preocupar, repito, preocupar com quem nós amamos.
Solitário, porem feliz e resolvido (endo) .
Pedro Duque



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