segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Natal, família, ansiedade, mudança...

E o Natal foi maravilhoso, estive com meus familiares, com minha família de origem, com minha irma e seu filho, o mais novo membro da família, que chegou a apenas um mes.

Confesso que ele (o novo membro da família) me traz sensações muito estranhas, no bom sentido, claro, ele me faz querer continuar lutando sabe, ele me faz ver a beleza do bebe tentando sugar o leite materno do seio da mae sem que ninguém o tenha ensinado a fazer isso!!! E aquele choro de alivio, o choro de fome, o choro de frio, tudo que vamos identificando conforme o tempo vai passando! E isso, sem duvida é a coisa mais bonita da natureza humana!

Eu como estudante de psicanálise, costumo ficar atento aos pequenos detalhes e pequenas mudanças na criança, e confesso que é lindo ver o que ja li em algum lugar e estudei sendo vivido ali, na minha frente.

Sobre as sensações que o novo membro da família me traz:

Eu penso muito na minha família, aquela que eu mesmo destruí, pq me sentia preso nela, a família que eu destruí por que sou um ser narcisico, neurótico, histérico. Penso em quantas vezes durante os meus nove anos de relacionamento com meu companheiro eu sonhei em um dia chegar em casa com um bebe no colo e parece que esse sonho foi morrendo aos poucos, e quando eu descobri que era HIV+ parece que esse sonho morreu de vez. Junto com a minha sanidade, dignidade e sobriedade.

Mas cada dia que passa, cada dia que eu nao consigo levantar da cama, e cada dia que eu consigo levantar, eu penso que EU posso!

Meu companheiro tem deixado de falar comigo ao telefone, tem me evitado e chegou a dizer que eu o afastei de mim, e eu o fiz. E agora quero de alguma forma retornar aquilo que eu perdi.

Quero descobrir onde me perdi, porque me perdi?

Seria tao fácil se eu tivessse a resposta pra todas as minhas perguntas. Seria tao fácil abrir um livro onde tudo estivesse explicado.

E eu sigo, ando muito triste, tomo meus remédios todos os dias, pq a ultima coisa que eu quero é causar mais sofrimento naqueles ao qual eu amo e sei que me amam.

Quero aprender a me descobrir, quero aprender a fazer amigos, quero aprender a valorizar os amigos que vou ter, e quero ter gente que some!

Acho, que hoje eu sai um pouco do que gostaria de escrever, mas como meus poucos leitores sabem, esse blog pra mim, é praticamente um diário, onde eu posso escrever os meus pensamentos e sentimentos.






terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Os portões foram abertos, a princesa foi salva!

Ca estou eu, fugi da minha gaiola e corri atras do meu príncipe encantado, corri, corri, tentei, tentei, mas nada deu certo, a única coisa que eu conseguia lembrar era de comparar ele e todos os outros ao meu verdadeiro príncipe encantado, aquele que eu um dia achei estar me prendendo dentro de uma gaiola.

Machuquei muitos sentimentos, muitos corações, muita magoa, muita droga, muita confusão, tudo ficou muito escuro e divicil de ver!

Agora, estou eu aqui, depois de machucar a pessoa que eu mais admiro no mundo, implorando pra que ele volte pra mim, pra que voltemos para nosso castelo e possamos ser felizes para sempre, ou pelo menos tentar.

Mas hoje eu quero falar tambem da tristeza que eu senti ao caminhar na rua, apesar de cheia, ipanema esta sempre cheia, eu me senti so, como jamais havia me sentido antes, so, puro, sem amigos, sem foco, sem produção, sem destino, ouvi um senhor tocando violao e sentei ao seu lado, as musicas eram tristes, o dia estava cinza, e eu me deixei levar pela tristeza daquele violão. Me deixei levar pela tristeza que se tornou a minha vida.

E de alguma forma, agora, tentando dormir e nao conseguindo, pensando em como eu nunca passei um natal tao triste e solitário na minha vida, me dei conta de que tudo pode mudar, de que as pessoas podem mudar! De que eu POSSO fazer diferente!

So depende de mim e de mais ninguém. Eu nunca quis tanto voltar pra minha gaiola dourada, eu nunca quis tanto sentir o cheiro dele ao meu lado na cama, eu nunca quis tanto reclamar que a barba dele esta por fazer, eu nunca quis tanto sentir o cheiro dele pela manha, as reclamações e o mau humor matino dele me fazem falta como nunca fizeram antes e isso esta criando um buraco tao grande dentro de mim, que a única coisa que eu pensei em fazer essa semana, e por sinal nao consegui, foi tomar uma cartela de 20 dormonids. O que eu nao me sinto nem um pouco orgulhoso de ter feito, na manha seguinte, ele, aquele cavaleiro da gaiola dourada, havia enviado seus soldados para arrombarem a porta do meu castelo e me salvar de mim mesmo! Ele, aquele da gaiola dourada, aquele que eu fugi tanto, me enviou uma dama de companhia pra que eu pudesse ter alguém ao meu lado, mesmo estando longe, ele cuida de mim.

Mas nada substitui ele. Eu quero ele.

Eu sou Pedro, HIV+, dependente químico,

 lutando contra a minha depressão e lutando contra mim mesmo. Porque so eu posso vencer essa batalha, so eu posso mudar o monstro que me transformei, naquele doce de pessoa que eu era.

Eu luto pela vida, pela paz, pelo amor!

Se voce por algum motivo esta lendo minhas palavras, é pq de alguma forma, voce precisa saber que voce nao esta sozinho, assim como eu nao estou sozinho! Nem todos temos os nossos príncipes encantados, que fazem loucuras por nos, mas nos temos a nossa forca, que vem de dentro!!!!!!

Vamos lutar!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Forca Sempre e Feliz (nao sera triste) NATAL!

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Solidão na gaiola dourada.

E aqui estou eu. Repousando na minha gaiola dourada, deitado na minha banheira cheia de espuma, odor maravilhoso de rosas do campo, mármores de cor clara cobrem as paredes, da janela da gaiola praticamente uma pintura, estática, lake louise é seu nome. Na poltrona, ele, o ex marido, aquele que me prendeu aqui nessa gaiola dourada. Ele diz que vai me deixar sair, que vai me respeitar! Mas as atitudes mostram um olhar diferente, preocupado, perdido, solitário. Somos dois solitários acompanhados. A água aquece meu corpo, a espuma esconde minhas vergonhas, o espelho reflete o que eu sonho, reflete a realidade, a angústia da solidão.

Em outro continente se encontra o meu príncipe encantado, que não está em um cavalo branco, e que não mora em um castelo, mas já me prometeu nada mais do que o amor, pode ser puro, pode não ser... Eu só sei que eu preciso descobrir! 

A gaiola dourada parece pequena pra mim agora. O medo de perder a segurança que eu tenho aqui e de me aventurar em um mundo desconhecido é grande! Mas eu não tenho medo!!

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Realizar um sonho custa caro.


E aqui estou eu novamente, meu cigarro aceso no canto da minha boca, a fumaça toma conta do meu quarto. Não posso dizer que o cheiro me agrada.


Faltam algumas semanas para o meu aniversario e eu tenho um sonho e pretendo realiza-lo. Isso tem tirado meu sono.

A realização de um sonho, ou de um "gozo", como diria eu em uma seção com minha analista, vai me custar caro e não falo apenas  do caro financeiro.
Aqui, falo do meu desgaste emocional, das pessoas que serão magoadas pois não serão convidadas, das pessoas que estão de alguma forma trabalhando pra mim ou me ajudando nessa empreitada, que não é pequena, apesar da pequena proporção de convidados. 


Eu quero um jantar pra 30 pessoas servido em apenas uma grande mesa, quero ser o centro das atenções no meu aniversario, quero ser o que eu sempre fui, o centro. Quero gozar da companhia de meus amigos e daqueles aos quais estão se tornando amigos. Quero receber olhares de apreço, quero receber bem e quero ouvir comentários positivos do grande jantar que vou oferecer. 


Mas tenho medo, medo dos olhares, medo de ser o centro, medo do gozar na companhia das pessoas. Medo de lembrar que um dia fui pobre, medo de talvez pensarem, que tudo isso não passa de um teatro, de uma encenação boba de uma classe media ascendente\decadente que é exatamente onde me encaixo nesse exato momento. 

Tenho medo do meu comum, ser exagero para outros, tenho medo de não agradar o mundo!

Mas ai eu penso, o mundo me agrada? 



A resposta para essa pergunta seria não. 

Apesar de ter todas as facilidades que um jovem de classe media alta tem, eu sou pardo/negro, venho de uma família de classe media baixa, meus pais (em especial minha mãe) não me aceitam como eu sou (homossexual), e eu com essa minha pulsante veia artística, brinco de encenar, brinco que a vida é perfeita, brinco que não tenho problemas e brinco de ser feliz! Quando estou no palco, o que seria minha vida, tudo é perfeito e não tenho tempo para repetir uma linha, apenas sigo em frente. 


Mas a essa hora, quando me deito, me deparo com tudo aquilo que pulsa dentro de mim, como um vulcão prestes a explodir, como uma nuvem cheia e cinza pronta para jorrar suas aguas sobre o oceano. E o que fazer com essa pulsão? O que fazer com esse vazio? Com esse medo? 


Não tenho a resposta ainda, 




Mas sigo a buscar.



A todos que tem lido meu blog, eu agradeço! Se quiserem comentar, ou me enviar email, sintam-se a vontade! Afinal de contas, quem escreve quer ser lido! Ou nao?

Pedro Ribeiro.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Carruagens, controle.


E quanto mais a gente tenta tomar as rédeas de nossa vida, mas parece que estamos caminhando em uma carroça sem rumo, onde os cavalos selvagens tentam nos levar a caminhos aos quais aparentemente nao queremos seguir. Esse é meu sentimento nesse momento, estou completamente perdido, estressado, nao sei o que fazer com uma pessoa que vem me incomodando em minha casa, gosto muito dela, mas acho que o tempo passou e chegou a hora da partida. 



Os espelhos, as fotos, todas essas facetas que criamos para nos admirarmos como seres egoístas que somos. Todos eles tem algum sentido, ou nenhum sentido.


Freud fala da histeria, e eu, sera que sou um histérico? Sera que as minhas angustias e dores nao são tao grandes assim quanto parecem? Sera que eu sou apenas um ser normal?


Não me sinto tao normal assim! Gosto de ser o centro das atenções, o foco da luz, por favor o coloque na minha direção, os espelhos, vire-os todos pra mim. 


Sera essa uma forma de enxergar aquilo que nao vejo? Sera essa uma forma de fuga, para ver apenas o exterior e esquecer o interior, o meu rico interior que esbraveja dentro de mim como que em pedido de socorro para sair.


As rédeas estão sendo tomadas, os cavalos domados e a carruagem segue seu rumo, meu rumo. Os espelhos, ainda nao sei onde os colocar. 


A metáfora, que seja entendida da sua forma. Pois para cada um de nos, as angustias estarão apertando em lugares diferentes.

Falar, ahhh falar! 

A palavra mata, mas a fala, ahh a fala salva! 

Pedro Ribeiro, madrugada de 19/09/2014

domingo, 14 de setembro de 2014

Até que ponto a Fé cristã incomoda?


Nesse ultimo sábado, nos reunimos todos, minha família materna, para um encontro de primos, sobrinhos, netos e bisnetos de minha avo, a grande matriarca da família. 


Foi muito bom estar próximo a todos aqueles que de alguma forma partilham, uma gota que seja, de sangue comigo, algo em comum que nos aproxima. 

Mas como sempre o é, foi bem dificil conviver com as diferenças, a maioria, senão todos, os meus familiares maternos são evangélicos e como nao é novidade para ninguém, eu sou gay e agnóstico (lê-se aquele que cree em Deus, mas nao na religião criada pelo homem).

E nas poucas conversas que tive, muitas me desagradaram pelo fato de em alguns segundos que eu particularmente chamo de, segundos de lucidez, os meus parentes puderem expor seus sentimentos por mim, a saudade que dói no peito deles, que por sinal, dói no meu tambem! Gostaria de te-los todos aqui, todos os dias. 

Porem, quando esse "momento de lucidez" termina, entra o "momento religião" que realmente ja "deu no saco",

Todos eles tem sonhos comigo, talvez seja apenas um sinal de preocupação, penso eu, mas eles completam e interpretam os sonhos como chamãs da antigüidade, e levam os sonhos para os lados mais obscuros da vida que pensam eles eu tenho. Outro veio fazer um video comigo, dizendo como me amava, ele era meu tio, e eu o amo muito! Mas o momento de lucidez passou rápido e ele logo começou a proclamar coisas na minha vida e dizer que Deus estava falando com ele sobre mim, e minha resposta foi bem clara, alias pra todos, a mesma resposta. 

Se Deus quer falar comigo, ele vai falar COMIGO, nao com voce! Não te vejo como canal direto com Deus, e voce nao conhece o meu coração, Eu conheço meu coração, Deus conhece meu coração. Deus sabe "onde aperta" 


Se pudesse enviaria isso por email a cada familiar que estava presente no ultimo sábado, mas me aterei apenas a desabafar aqui, onde nao sou lido ou julgado por uma "prole" evangélica dos anos 2014 que eu os identifico como os "fariseus" da época de Jesus.


Menos julgamento, vamos olhar para nos mesmos, para nossas almas, mentes e corpos e decidir o que devemos fazer com o que é NOSSO. SOMOS TODOS IGUAIS.

Vamos deixar o outro de lado, viver nossa vida e se preocupar, repito, preocupar com quem nós amamos.

Solitário, porem feliz e resolvido (endo) .














Pedro Duque


Carta/letra assim seja lido.

Pique uma carta em pedacinhos e ela continuará a ser a carta que é. Essas são as palavras de Lacan, que me inspiram a pensar, as vezes tentamos fazer de nossos problemas pedacinhos, e eles continuam a ser exatamente o que sempre foram! 
Talvez Lacan queira nos dizer, para ao invés de pica-los que possamos resolvê-los! Um por um, cada qual com sua singularidade!